Alguma coisa está muito errada neste história do hospital de campanha de Itajaí

O assunto do momento é a ideia, por enquanto abortada, de o Estado montar, no Centro de Eventos da Marejada de Itajaí, um hospital de campanha com 100 leitos, como emergência de atendimento dos casos de coronavírus na região. Idas e vindas, insistências e anulações, o fundamento é a liberalidade de não licitar, mas contratar direto. Daí surgiram aspectos pouco claros. Aliás, bem escuros. Os contratados têm ligação direta e íntima com elementos do governo e as coisas passaram a não cheirar muito bem.

Em cima disso, o custo: R$ 76 milhões. Ainda sem muitas explicações, mas isso seria apenas a montagem e entrega da estrutura pronta. Os custos de funcionamentos, insumos e tudo o mais, fora. Por seis meses.

O deputado Kennedy Nunes (PSD), questionou isso com veemência. Consultou o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, quanto ao hospital de campanha montado lá pelo governo federal, com 200 leitos (o dobro), por R$ 10 milhões. Na gravação abaixo, Kennedy explica, de acordo com o que ouviu: em Goiás os R$ 10 milhões são apenas o custo de montagem. O resto custará mais 34 milhões, até o final do uso. Ou seja: custo total de R$ 44 milhões. Ouçam a fala do deputado, abaixo.

Aqui, os mais próximos das avaliações e cálculos, afirmam que as despesas, ao final, somariam praticamente o dobro dos R$ 76 milhões. 

Calculem a relação custo/leito e se abismem. Absurdo.

Aqui na região a situação fica muito difícil de entender, quando sabemos que o Hospital Marietta tem uma ala praticamente pronta com 40 leitos e abandonada. Novinha em folha. O Hospital Santa Inês, de Balneário Camboriú, fechado há tempos, tem todas as instalações. Bastaria, neste caso, uma bela avaliação e uma complementação do que falta e estaria prontinho para funcionar. A um custo, por baixo, de menos da metade. E, se mantidos os R$ 76 milhões, o Santa Inês poderia, com folga, atender durante um ano. Afinal, na divisão ano/mês, teríamos um custo ainda menor do que o município de Balneário Camboriú coloca hoje no Hospital Ruth Cardoso, para atender toda a região.

Portanto, algo não está batendo. Tem xique-xique no pixoxó. Muito escura a coisa.

O dr. Celso Dellagiustina lembra, com propriedade de entendido nisso, que o Hospital Psiquiátrico de Rio Maina, distrito de Criciúma, instituição de mais de 70 anos, foi fechado e agora reaberto por causa da crise sanitária. Em duas semanas ficou prontinho e está atendendo. Além do que, lembra também o dr Celso, que há anos ele vem sugerindo a reabertura do Santa Inês pelo Estado.

Estranha-se mais ainda a tímida, apesar de estar em evolução, ação dos órgãos responsáveis pela Justiça, incluído aí o Ministério Público.

Diz o ditado que onde passa um boi, passa uma boiada. A crise do coronavírus e a libertinagem institucional e orçamentária gerada em consequência não autoriza barbaridades deste tipo. Precisamos ficar vigilantes.