Um parecer clínico e robusto sobre a pandemia do coronavírus

Texto extremamente interessante e pertinente do Dr. Luiz Alberto da Silveira, Médico Oncologista em Florianópolis.

Raciocínio com os dados existentes, até aqui identificados, sobre a complexa epidemia em curso com expectativa de agravamento no inverno.

Covid19:

1. Raro em adultos abaixo de 50 anos, mas não "imunes" a apresentar sintomas mais sérios da doença e que necessitarão de tratamento em regime de internação;

2. Segundo o Ministério da Saúde da Itália, 12% dos pacientes que foram tratados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) do país tinham entre 19 e 50 anos, 52% entre 51 e 70 anos e 36%, mais de 70 anos (dados pontuais);

3. A taxa de mortalidade entre 19 e 50 anos situou-se abaixo de 1%;

4. A baixa mortalidade entre os mais jovens decorre do sistema imunológico mais competente . Nos idosos, o sistema imunológico tende a não desenvolver o mesmo nível de resposta determinando maior mortalidade. A imunização natural em mais 50% da população é capaz de retrair a epidemia ( massa da população até 60 anos). Os imunizados por não contagiarem protegerão naturalmente os idosos;

5. Na China, a taxa de mortalidade de infectados com covid-19 abaixo de 50 anos foi cerca de 0,4% e mesmo com sintomas mais leves da doença, oferecem riscos continuados para os idosos nos isolamentos conjuntos;

6. O isolamento social protela o pico de incidência, não evita a doença e é utilizado face à necessidade de assegurar-se estrutura hospitalar para os casos de média e alta gravidade;

7. A manutenção prolongada do isolamento social acarretará severo dano econômico-social com afloramento de novos, inusitados e severos riscos à população sem impedir a evolução continuada da epidemia;

8. Não há como evitar uma percentagem de mortalidade sem a existência de uma vacina ou de um medicamento testado a tempo (seguindo os princípios elegantes de uma pesquisa científica);

9. As autoridades mundiais e nacionais (incluindo cientistas) não têm experiência com o que vem ocorrendo e debatem-se em discussões voláteis contradizendo-se frequentemente e denotam receios de interromper o isolamento social possivelmente para não serem imputados pela história, entendendo que “esconder a população da doença “ é a alternativa (sem fundamentos consagrados) mais adequada. Vem sendo gerado um viés político inadmissível frente à gravidade da situação;

10. Uma comunicação social criteriosa e continuada sobre os fatos médico-epidemiológicos já conhecidos , descritos nos itens anteriores e a lógica técnica da interrupção gradativa do isolamento até a faixa de 60 anos permitirá atingir mais rapidamente a imunização de segurança sabendo-se das percentagens ( baixas ) de letalidade;

11. Para os casos infectados, com sinais e sintomas ou testados, a utilização (precoce) da hidroxicloroquina+AZT (devidamente normatizada) é a única alternativa razoável hoje existente, a despeito da inexistência de pesquisas completas, capaz de reduzir a mortalidade já conhecidamente baixa até os 60 anos. É mais seguro e menos dispendioso ajustar a estrutura hospitalar para os casos de internação da população mais jovem com infecção com maior morbidade.
Lamentavelmente não há como sair da epidemia sem mortalidade e o desafio é o de prevenir-se mais danos pela relutância nas decisões;

A cloroquina e hidroxicloroquina são utilizadas há décadas sem a necessidade de receita médica e os efeitos adversos nunca foram impeditivos para a utilização. É hipócrita a argumentação sobre efeitos adversos destes medicamentos conhecidos num país em que recentemente o STF autorizou a utilização da Fosfoetanolamina (pílula do câncer) que nunca havia sido testada em humanos e Assembleias Legislativas, inúmeras autoridades homenagearam os pesquisadores pelo estudo in vitro e em pequenos animais sem que nenhum cientista de escol tenha se manifestado contrariamente. Milhares de pacientes esperançosos sob o aval e recursos do Estado fizeram o uso do medicamento de forma iludida.

É urgente que haja uma discussão colegiada pautando-se os aspectos listados , buscando-se um consenso maduro e lógico sem vieses que conturbam a severa crise existente.

Luiz Alberto da Silveira.

Médico Oncologista Clínico