Presidentes da história e a arte de falar e de calar

Sobre presidentes e a arte de falar. E de calar.
Juscelino e Getúlio eram esplêndidos oradores e sabiam usar o predicado como poucos para conquistar votos e galvanizar apoios.
Eurico Gaspar Dutra (1946-1950) falava mal e sabia disso. Por isso vivia caladíssimo. Só ia nos comícios como figurante silencioso e obediente. Venceu. O Brigadeiro Eduardo Gomes, seu adversário, falava mal e achava que não. Vivia dando discursos. Morreu pela boca. Perdeu.
O Marechal Henrique Lott, candidato contra Jânio Quadros em 1960 também falava mal, embora tido e havido como honesto e garantidor da ordem (segurou as pontas para assegurar a posse de Juscelino em 1955, quando já queriam dar o golpe). Jânio era excepcional orador, embora altamente demagogo e fútil (depois se viu direito como era isso, infelizmente com graves consequências para o Brasil, sentidas até hoje). Jânio venceu e foi uma decepção.
Conta-se, no folclore político, que, desanimado ante a pouca repercussão de sua candidatura, Lott teria ido se aconselhar com o Marechal e ex-presidente Dutra sobre como fazer. Dizem, sem confirmação, que Dutra teria aconselhado: "Cala a boca que tu ganhas".
Vivia eu no Araranguá, por onde Jânio passou e fez comício em palanque armado no cruzamento da Avenida Getúlio Vargas com a Sete de Setembro, diante do Jardim Alcebíades Seara. Lá, soube que, enquanto se ajeitava para a empreitada do comício, apresentaram a ele uma agenda de lugares da região que deveria visitar. A cada uma cidade citada, ele indagava: "O Brigadeiro passou por lá? Se passou eu nem vou, pois ele já perdeu os votos".
E em resumo é isto. Políticos precisam saber, mais do que nunca, a hora de falar, o que falar, como falar e a hora de fechar o bico. Pra não perder as oportunidades de usar o silêncio a seu favor. Mas nós, povo velho de guerra, também precisamos aprender (ainda não aprendemos) a discernir os enganadores dos idealistas e verdadeiros. É só contarmos, cada um de nós, quantas vezes erramos no voto e repetimos o erro.