As bobagens sobre medicação e coronavírus, uma transa inócua

O que dizem alarmistas: cloroquina pode causar morte súbita (caso de uso contra covid-19).

Realidade: ela está sendo usada agora e é usada desde 1934 contra malária e doenças correlatas. Ninguém será capaz de mostrar pesquisas ou números quaisquer comprovando essa letalidade ou outra qualquer provocada pelo uso do medicamento.

Realidade: qualquer remédio tem contraindicações, basta ler a bula de qualquer um, à escolha. Tome-se um Melhoral, remédio inocente, por hora e se verá letalidade possível ou consequências orgânicas devastadoras.

Realidade: tenta-se a todo custo, advogar isolamento radical, restrição a atividades, como se isso resolvesse, sozinho e prioritariamente, a disseminação do vírus. Fosse assim, estados como o Rio de Janeiro e São Paulo, cujos governos são restritivos por excelência, reis do lockdown, não seriam campeões de casos e de mortes pela doença. E onde a tal curva não achata de modo algum. Até pelo contrário. Minas Gerais é um exemplo de contraditório: segundo estado do Brasil em população tem 177 mortes e não tem nada do rigor nem do Rio e nem de São Paulo. E um número de casos infinitamente menor.

Cansativo repetir: o vírus não sumirá, com ou sem isolamento e restrição de atividades, essenciais ou não. Nem agora e nem depois. Vai continuar por aí até por anos, como a H1N1 e a dengue (que, por sinal, continua matando muito).

E isto de exigir garantia de “prova científica” nos leva à campanha em favor da fosfoetanolamina, lá atrás, remédio experimental contra o câncer – que até hoje não tem nenhuma comprovação científica de nada, mas médicos a defenderam e o STF autorizou (2015) sua liberação de uso.

E se as tais “provas científicas” foram do tipo das defendidas pelos infectologistas da UFSC (que previram 50 mil mortes – e até agora foram 97 - e 1,4 milhão de casos em SC em abril), estamos ferrados.

O Brasil é o país da piada tecnológica da convicção sem sentido. Uma transa inócua.

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Por ilustração argumentícia, print de depoimento de uma jovem de Manaus sobre seu isolamento de 61 dias, com todos os cuidados, e foi infectada. Como o caso da Cláudia Raia, igualmente infectada em isolamento domiciliar.

Finalmente: a propósito da postagem desta moça, entrei no perfil dela na época e constatei a veracidade do depoimento. No twitter, por reportá-lo, recebi os mais ignóbeis e repulsivos adjetivos de gente de todos os lados, tentando desmerecer o fato. Típico de gente sem caráter. E ela, claro, deve ter recebido um bombardeio semelhante, pois em seguida retirou do ar o seu perfil. Cheguei até mesmo a excluir gente muito conhecida por expressões impublicáveis. Coisa de quem não argumenta, apenas agride. Que penteiem macacos.