FIQUE EM CASA: hipocrisia e pobreza ideológica

A narrativa do “fique em casa”, defendida com unhas e dentes principalmente pelos esquerdistas e adversários do governo federal, desmoronou com as manifestações. Há quem tente “passar pano” – ou tentará – alegando o uso de máscaras. Não cola. No passado bem recente criticavam até carreatas a favor de Bolsonaro, espichando criminalização por genocídio. Os exageros e o idiotismo, então, valiam. De repente, perderam a validade e passaram a ser o suprassumo da democracia, o “direito de expressão”. Vão catar cavacos no asfalto.

A própria Justiça, o Ministério Público, os prefeitos e governadores e a polícia deixaram pra lá e não responderam com as mesmas restrições a estas manifestações em relação àquelas.

Em Santa Catarina é pior: enquanto veda e põe sua assinatura em decreto proibindo festas e aglomerações, o próprio governador vai a uma, em Gaspar, onde se exibe sem máscaras e em papo descontraído, vis-à-vis, com interlocutores igualmente sem máscaras. Bem na distância de projetar o vírus um no outro. Pisotearam suas próprias regras e tripudiaram sobre o senso comum esparramado de que o perigo é iminente nessas circunstâncias sociais.

Uma festinha com bastante gente colada uns aos outros, alegres e fagueiros. Noutras festas semelhantes, a polícia bateu para desmantelar a tertúlia coletiva. Não dá para aceitar isso com passividade, pois o Estado e o país estão se desmantelando na economia por culpa de um falso zelo sanitário.

É uma demonstração de desprezo pela realidade. Realidade, aliás, que eles mesmos instituíram como lei.

NOTA OFICIAL

O governador emitiu uma nota oficial a respeito:

O governador Carlos Moisés esteve hospedado em um hotel em Gaspar neste fim de semana. No momento em que o governador jantava, um hóspede que fazia apresentação musical no ambiente mencionou a presença do chefe do Executivo estadual, que passou a ser procurado por outras pessoas em sua mesa e, por cortesia, interrompeu por um momento a refeição e conversou brevemente com algumas delas. Todas as normas de segurança foram observadas pelo governador, assim como pelo estabelecimento em que ele se hospedou, que respeitou a limitação na ocupação máxima em razão da pandemia.

O vídeo do local desmente a afirmação. O governador fez bobagem.