O vírus tem preferência por horários para atuar?

O que impressiona mais na atual situação não são as contradições e as discussões antagônicas sobre as medidas de combate à pandemia. Nem a ciência encontrou ainda um parâmetro seguro e único. Única unanimidade do momento Covid-19 é a roubalheira do dinheiro destinado ao combate à pandemia em diversos estados e cidades. Descarada e, até aqui, impune. Prendem por crimes de opinião e agitadores sociais que nada fizeram de mais grave e deixam esse pessoal solto por aí.

Natural a dissenção de opiniões daqui e dali, com certa dosagem de exagero e nada sutil cunho ideológico de todos os lados, regra geral tornando pessoais os questionamentos - caso em que o mensageiro é mais doloso do que a mensagem. 

A vida tem uma lição definitiva: ante certas circunstâncias, a voz mais sólida é o silêncio. Ou, se preferir-se, o desprezo e o famoso "deixa pra lá". A raiva - ou, como dizem, o ódio só faz mal a quem o tem ou o adeseja. Que seus donos originários façam bom proveito.

Agora está-se adotando novas e intensas medidas restritivas. A curva continua subindo. Não desceu, como previsto, em março, nem em abril, nem em maio, nem em junho e não descerá enquanto não tivermos um quadro de imunidade espontânea na população, até a descoberta de uma vacina eficiente, cuja demora, no compasso atual, pode ser de mais de um ano para ser aplicada em massa. E até lá? Pára tudo de 15 em 15 dias? Restringem-se atividades essenciais à vida econômica da população, aleatoriamente, sem comprovações científicas idôneas, na base do chutômetro? O vírus não vai parar, por anos e anos. 

Para se ter noção da confusão de conceitos sanitários e cuidados que se devam adotar, basta ver a autonomia de prefeitos e governadores para adotar as medidas necessárias. Cada um faz do seu jeito e de acordo com suas concepções e imaginação, com pressão ou sem pressão, reais ou não. Se forem medidas restritivas, ficam. Se forem de flexibilização a autonomia acaba, pois a Justiça veda. Há muitos exemplos de agora mesmo.

Agora mesmo alguns municípios permitem bares e restaurantes abertos até determinado horário e proíbem em outros horários. Esquisito: quer dizer, então, que o vírus tem preferência de horários para disseminar? Qual o embasamento disso?

Gostaria muito de evitar polêmicas a este respeito, mas é difícil. Dá uma coceira danada nas ideias.