Tão desastroso quanto a Covid é o vírus da desonestidade

Há toda uma polêmica feroz ante decisão de alguns prefeitos e governadores, como Volnei Morastoni, de Itajaí, também médico, de distribuir ivermectina e cloroquina ao povo, como forma de prevenção e combate à Covid-19.

Não só a Anvisa, como a OMS e notórios leigos da área judicial e MP, não recomendam e querem impedir e cobram explicações. Buenas, ambos são medicamentos usados contra outras comorbidades, alegadamente sem efeito prático contra o vírus. Há uma parte da comunidade médica que defende o uso, outra não. Resta uma indagação: se não resolve, mas mal não faz, seria até interessante deixar ministrar e comprovar a inutilidade. Dirão que é um risco desnecessário. Mas vamos lá: inexistem medicamentos específicos e vacina contra o vírus. Ao serem internados, os pacientes, graves ou não, precisam ser tratados. Apenas intubá-los não é uma boa solução, porque agressiva - embora inevitável em boa parte dos casos. Fico sempre curioso para saber qual o remédio que usam nos doentes internados, mas me reservo ao direito de dizer sem embasamento, por ser leigo e na frente de operação e combate estão pessoas dedicadas e especializadas.

Outra coisa que me foge à lógica é a judicialização: querem impor medidas ou exigir providências aos gestores públicos sem saber exatamente o tamanho e o grau das dificuldades ou impossibilidades.

Lá no começo, ante o pavor do inusitado trágico, a linha de argumento era trancar-se em casa e fechar tudo para dar tempo de aparelhar a área da saúde e evitar colapso. Pois bem: estamos colapsando agora mesmo, quase 100 dias depois e só os serviços essenciais estão funcionando, praticamente.

Como disse alguém: é fácil ter soluções até milagrosas sentado à frente de um computador, atrás de uma escrivaninha num escritório qualquer, engraxando o sapato, cortando o cabelo ou dando opinião sem conviver com o drama de ter que decidir e estar suscetível a erro e ainda sofrendo pressões e críticas azedas de todos os lados.

Enquanto isso, quem se dá bem são os ladrões de dinheiro público, abusando das verbas liberadas e metendo a mão com vontade. Sem pejo algum, apesar das denúncias e investigações sucessivas em quase todo o país. O vírus da desonestidade.