Vereadores cumprem seu papel, apesar de exageros e inutilidades

Debates na Câmara de Balneário Camboriú, discursos inflamados e veementes, veiculações nos perfis dos vereadores, indicam os edis cumprindo seu papel. Não raro sem efeito prático algum, mas enfim, cumprindo o papel. Dois objetivos com semelhança de lutas sociais de alta repercussão, como a gestão do Hospital Ruth Cardoso e o Centro de Eventos são emblemáticos neste sentido - justificando nossa opinião.

Desde quando, há 12 anos, foi construído e começou a funcionar, o Hospital Ruth Cardoso é alvo de críticas no seu atendimento e nas suas suficiências. A maior parte do tempo por conta de uma ajuda estadual que nunca veio e, quando veio, foi por força de decisão judicial e em função da pandemia. No mais, igual sempre. As críticas de nada resolveram. E se sabe por que: o hospital é produto de decisões políticas equivocadas.

Primeiro, não deveria ter sido construído. Melhor teria sido negociar, já naquela época e não agora como querem alguns, a permanência do Santa Inês. A luta de hoje por sua reabertura, mesmo sob a justificativa emergencial poderia ter sido deflagrada e mantida naquele tempo. A construção do Ruth Cardoso foi equivocada porque sua estrutura não atende às características locais e nem regionais. A sucessão de problemas no decurso deste tempo comprovam isto com fartura.

Segundo, construído e pronto, o correto teria sido não abri-lo para esta finalidade. Quem sabe como um grande PA ou UPA municipal. Pior ainda abri-lo 100% SUS, esperando-se, como sugeriram todos os gestores desde então, uma ajuda dos municípios vizinhos e do Estado. Não aconteceu. O município precisou e precisa bancá-lo sozinho, sustentando necessidades regionais. A saída criada por Fabrício Oliveira, atual prefeito, mostrou-se melhor: fechar as portas para atendimento regional e torná-lo, como o nome diz: municipal. A proposta acabou interrompida, ao menos provisoriamente, por decisão judicial com interveniência do Ministério Público. Terá que ser reconsiderada, pois inexiste outra saída. É injusto continuar assim, com municípios vizinhos mandando pra cá seus pacientes e lavando as mãos e, ainda, criticando o atendimento. 

Quanto ao Centro de Eventos sempre me pareceu - e repeti isso à exaustão esse tempo todo - inviável no seu nascedouro. Foi intuição. Uma visão de pragmatismo virtual. Nem do zoológico, uma instituição que está lá há décadas, cuidam direito, apesar do esforço dos abnegados que lá estão a cuidar do ambiente e dos animais. Sem contar a inviabilidade econômica, por uma projeção simples: seu custo mensal fixo e os valores exigidos para quem queira se habilitar a administrá-lo. A ilusão de que estaria funcionando há dois ou três anos atrás morreu na casca. E veio a pandemia. Piorou bem. As discussões em torno dele continuam apaixonadas e veementes, mas não passa disso. Resultado prático nenhum. O correto será, desde logo e o mais rápido possível, buscar uma alternativa para a ocupação da estrutura e repito: antes que o Estado, dono do negócio, decida por um caminho desagradável para a cidade. Seja ali a rodoviária numa parte, noutra parte espaços para artesãos, restaurantes típicos, posto de informações turísticas e vai por aí. O leque de opções é imenso. Porque, finalmente, convençam-se: com a pandemia, se não buscarem uma alternativa para a ocupação dos espaços da estrutura do Centro de Eventos, virará uma tapera à beira mar plantada.